Uma operação relâmpago, a redução na pedida salarial e a mobilização da cúpula do clube marcaram o retorno de Dorival Júnior ao São Paulo. O acerto foi fechado após uma corrida contra o tempo que começou ainda no vestiário após a eliminação para o Juventude e terminou com uma reunião que atravessou a madrugada em Florianópolis.
A decisão de trazer Dorival de volta foi tomada logo após a derrota por 3 a 1 no Alfredo Jaconi e a demissão de Roger Machado. Rui Costa e Rafinha, que estavam com a delegação no Rio Grande do Sul, passaram a discutir o nome do substituto com o presidente Harry Massis Júnior, que permaneceu em São Paulo. A definição foi instantânea: o próximo técnico deveria ser Dorival Júnior, tratado internamente como prioridade absoluta pela diretoria.
Rui Costa e Rafinha decidiram permanecer em Porto Alegre após a saída da delegação e viajaram para Florianópolis para conversar pessoalmente com o treinador. Nos primeiros contatos por telefone, Dorival já demonstrou desejo de retornar ao Morumbis. A sinalização positiva acelerou o processo. Um advogado do clube também viajou de São Paulo para participar do encontro e tentar encaminhar a documentação necessária.
Dorival recebeu a comitiva ao lado da família. O auxiliar Lucas Silvestre, filho do treinador, não participou do encontro porque estava viajando. Segundo apurou a reportagem, Dorival demonstrou forte interesse em retornar e reduziu significativamente a pedida inicial apresentada ao São Paulo. Internamente, havia a consciência de que a negociação envolveria valores altos, já que se tratava de um dos técnicos mais vencedores do futebol brasileiro.
Para viabilizar o acordo, o São Paulo apresentou um modelo de contrato até o fim da temporada e sem multa rescisória para nenhuma das partes. Um interlocutor lembrou que Dorival normalmente não aceita vínculos nesses moldes, mas abriu exceção pela relação construída com o clube.
A reunião em Florianópolis avançou pela noite e entrou pela madrugada, mas terminou inicialmente sem acordo definitivo. Durante toda a negociação, Rui Costa e Rafinha mantiveram contato constante com Harry Massis Júnior, que acompanhava as conversas de São Paulo. O acerto foi sacramentado apenas na manhã de sexta-feira.
Após a conclusão das negociações, Rafinha retornou para São Paulo e acompanhou as atividades do elenco. Rui Costa e o advogado do clube permaneceram em Florianópolis para finalizar a documentação e liberar o anúncio oficial. Durante a reunião, Dorival fez perguntas sobre o momento do clube, a estrutura do departamento de futebol e as possibilidades de mercado para a temporada.
O retorno do treinador gerou forte repercussão interna no CT da Barra Funda. Integrantes da comissão técnica de Dorival e pessoas próximas ao treinador entraram em contato com funcionários antigos do clube durante a negociação, demonstrando entusiasmo com a volta ao São Paulo.
